Depois de nove anos, voltei a Buenos Aires. Em 2016, cheguei a morar durante aproximadamente um mês na capital argentina. Naquela época, encontrei uma Argentina mais barata para o brasileiro e com alguns lugares mais bem conservados pelo menos na minha percepção. Em 2025, Buenos Aires entrou novamente no meu roteiro, dessa vez durante um pequeno mochilão. Fiquei apenas cerca de um dia na cidade, tempo suficiente para matar um pouco da saudade, revisitar lugares e também conhecer alguns pontos que tinham ficado de fora da minha primeira experiência. E voltar a um destino depois de tantos anos é curioso. A cidade pode até continuar no mesmo lugar, mas nós já não somos os mesmos viajantes.

Chegando a Buenos Aires de barco pelo Uruguai
Minha chegada também foi completamente diferente. Na primeira vez, em 2016, cheguei de avião vindo de São Paulo. Dessa vez, desembarquei em Buenos Aires de navio, depois de sair de Colônia do Sacramento, no Uruguai. Foi uma experiência diferente e tive novamente aquela sensação de estar em uma grande metrópole: muita gente circulando, prédios por todos os lados e aquele movimento característico de Buenos Aires.
Eu estava viajando com uma colega e nos hospedamos no centro no Hotel Milan, um hotel três estrelas que considerei bem decente para uma estadia curta. Ele fica próximo ao Obelisco. O plano era visitar em apenas dois dias mesmo, um em Buenos Aires e o outro em Tigre. Buenos Aires era uma parada do mochilão, porque eu queria reservar mais tempo para conhecer Salta, no norte da Argentina.
Quando chegamos ao hotel já era fim de tarde. Largamos as coisas e surgiu aquela pergunta clássica de quem tem pouquíssimo tempo em uma cidade:
O que dá para fazer ainda hoje?
Primeira noite: jantar e espetáculo de tango!

A escolha para aquela noite foi assistir a um espetáculo de tango acompanhado de jantar no Señor Tango. E foi uma daquelas experiências em que você sabe que vai gastar bastante, mas pensa: “quando vou fazer isso novamente?” O jantar teve entrada, bife de chorizo e sobremesa, além do espetáculo de tango, claro rs! E que espetáculo!

Foram diversos artistas no palco, com muita música e apresentações de dança impressionantes. Mesmo sendo uma experiência bastante turística, achei que valeu a pena justamente pelo conjunto: jantar, ambiente e apresentação.
A conta ficou em aproximadamente R$ 500 por pessoa. Caríssimo? Para mim, sim! Mas era uma experiência que eu sabia que dificilmente repetiria tão cedo. Então gastei sem dó. Se estiver dentro do seu orçamento e você se planejar para isso, considero uma experiência que pode compensar.

Na volta, preferimos não retornar andando para o hotel. Como já tinha ouvido alguns relatos sobre caminhar pelo centro durante a noite, optamos por transporte por aplicativo. E assim terminou nossa primeira noite.
No dia seguinte, começaria a verdadeira maratona.
Primeiro dia: tentando conhecer o máximo possível

Acordei com uma missão: aproveitar cada hora que tinha em Buenos Aires. Como meu tempo era curto, uma das melhores decisões foi começar pelo free walking tour pelo Centro de Buenos Aires. Se você também tiver pouco tempo, recomendo reservar antecipadamente. As vagas podem ser limitadas e o passeio permite passar por vários pontos importantes enquanto um guia explica o contexto histórico e cultural da cidade.
O tour não tem um preço fixo, mas funciona com contribuição ao guia.
No e-mail que recebi na época, a recomendação de gorjeta variava de 8 mil a 12 mil pesos argentinos, dependendo da avaliação do passeio. Na conversão que fiz durante a viagem, isso representava aproximadamente R$ 43 a R$ 64. É importante considerar esses valores apenas como referência da época da minha viagem, porque o câmbio argentino pode mudar bastante.
Havia opções de guias em espanhol e inglês. Gostei bastante do passeio porque não era simplesmente caminhar e tirar fotos dos prédios. O guia contextualizava acontecimentos históricos, políticos, culturais e artísticos relacionados aos lugares pelos quais passávamos.
Para quem está visitando Buenos Aires pela primeira vez, ou voltando depois de muito tempo, como eu, ajuda a enxergar a cidade de outra maneira.

Entre os pontos do roteiro estavam:
- Prédio do Congresso;
- Palácio Barolo;
- mural de Evita;
- Café Tortoni;
- Praça de Maio;
- Edifícios históricos da administração pública;
- Catedral Metropolitana;
- Referências à história do papa Francisco;
- História das Mães da Praça de Maio.
É bastante coisa para uma única caminhada e foi uma boa forma de aproveitar a manhã sem precisar organizar individualmente cada parada.
Recoleta e o famoso cemitério
Depois do walking tour, seguimos para a região da Recoleta. Foi aí que finalmente conheci o Cemitério da Recoleta, um dos pontos turísticos mais famosos de Buenos Aires. Vou confessar: eu particularmente não gosto muito desse tipo de atração. Mas como já estava por ali e não tinha conhecido o lugar quando morei na cidade, resolvi entrar.
O cemitério reúne mausoléus e túmulos de diversas personalidades argentinas e chama atenção principalmente pela arquitetura. É praticamente um conjunto de pequenas construções e monumentos.
Eu fui, conheci, mas não voltaria.
O ingresso custou mais de R$ 70 na conversão que fiz na época. Para quem gosta de história, arquitetura ou desse tipo de atração, provavelmente a experiência terá muito mais valor. Para mim, valeu principalmente por finalmente poder dizer: “fui”.
Floralis Genérica

Saindo da Recoleta, continuei andando até outra atração bastante conhecida de Buenos Aires: a Floralis Genérica. A enorme flor metálica fica na Plaza de las Naciones Unidas e é um daqueles lugares que rendem boas fotos. O parque ao redor também é agradável para caminhar e descansar um pouco.
Infelizmente a Floralis estava em manutenção e seu mecanismo não estava funcionando quando visitei. Mesmo assim, aproveitei para conhecer o espaço e tirar algumas fotos.
La Boca e Caminito: as cores de Buenos Aires

Depois seguimos para um dos lugares mais conhecidos e fotografados da cidade: La Boca. É ali que fica o famoso Caminito, com seus prédios e antigos coloridos, artistas, restaurantes e referências ao tango.
O Caminito funciona como uma espécie de museu a céu aberto. O próprio órgão oficial de turismo de Buenos Aires explica que o passeio tem cerca de 150 metros e que as construções de chapa coloridas estão diretamente relacionadas à história de La Boca e de seus imigrantes.
É um lugar extremamente turístico? Sim. Mas, se você está conhecendo Buenos Aires, acho difícil simplesmente ignorá-lo. As cores dão uma identidade completamente diferente à região e fazem de Caminito um dos cenários mais característicos da cidade.
Quem gosta de futebol ainda pode aproveitar a passagem pelo bairro para conhecer os arredores de La Bombonera, estádio do Boca Juniors.
Uma pausa nos Bosques de Palermo

Outro lugar que entrou nessa maratona foram os Bosques de Palermo, nome pelo qual é popularmente conhecido o Parque Tres de Febrero. Depois de tantas ruas, prédios e atrações históricas, Palermo apresenta outro lado de Buenos Aires: muito mais verde e tranquilo.
O parque é enorme. Segundo o turismo oficial da cidade, são cerca de 370 hectares, com quatro lagos e dezenas de praças e passeios. Na região também estão atrações como o Rosedal, o Planetário Galileo Galilei e o Jardim Japonês.
Como meu roteiro estava apertadíssimo, não dava para explorar tudo com calma. Ainda assim, gostei de incluir Palermo justamente para quebrar um pouco aquela sequência de atrações históricas e áreas muito movimentadas. Se tivesse mais dias, certamente reservaria mais tempo para essa região.
El Ateneo Grand Splendid: a livraria mais bonitas do mundo

E ainda tinha mais uma parada que eu queria fazer: a famosa El Ateneo Grand Splendid. Mesmo quem não tem o hábito de visitar livrarias pode gostar daqui. O motivo aparece assim que você entra. A livraria funciona dentro de um antigo teatro inaugurado em 1919 e preserva elementos da construção original, incluindo camarotes, ornamentação e a enorme cúpula. O palco do antigo teatro hoje abriga um café.
Durante muito tempo, vi o local ser apresentado como a “segunda livraria mais bonita do mundo”. Essa classificação veio de uma seleção publicada pelo jornal britânico The Guardian em 2008. Anos depois, em 2019, a National Geographic foi ainda além e a apresentou como a livraria mais bonita do mundo.
Independentemente do ranking, é realmente um lugar impressionante. Você entra para conhecer uma livraria e acaba passando boa parte do tempo olhando para o teto, os antigos camarotes e tentando imaginar como aquele espaço funcionava quando ainda recebia espetáculos.
Última manhã: Obelisco, San Telmo e Mafalda

No dia seguinte, ainda tínhamos algumas horas em Buenos Aires. Era hora de aproveitar até o último minuto. Começamos pelo Obelisco, afinal eu estava hospedado praticamente ao lado de um dos maiores símbolos da cidade e precisava garantir algumas fotos. Fui cedo e a fila não existiu rs! Depois seguimos para San Telmo, um dos bairros que mais gosto pela atmosfera das ruas e construções antigas. A fila para as fotos da Mafalda também não existiu rsrsrs! Mas para isso, é necessário chegar bem cedo, muitos comércios ainda nem estavam abertos.
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Adriano Ferreira
Sou apaixonado por viagens e por descobrir lugares sem pressa. Depois de conhecer 13 países, deixei de lado a correria dos roteiros tradicionais e adotei um estilo de vida nômade inspirado no slow travel. Ao longo dessa jornada, já vivi em diferentes regiões do Brasil, explorando cada destino com mais profundidade, tempo e conexão com a cultura local. Hoje, sigo sempre em busca da próxima aventura, podendo ser rápida ou prolongada.
Aqui eu compartilho dicas, notícias, curiosidades e experiências boas ou nem tão boas, mas reais, que podem ajudar você a planejar viagens mais agradáveis, seja para um fim de semana ou uma grande jornada.
