No norte de Florianópolis estão algumas das praias de que mais gostei na cidade. No verão, há ainda uma vantagem para quem, assim como eu, prefere entrar no mar sem sofrer com água fria: nessa parte da ilha, a temperatura costuma ser mais agradável do que em outras regiões de Floripa. Foi também no norte que vivi boa parte das minhas experiências em Florianópolis. Ao longo do tempo, percorri diferentes praias, observei como elas mudam de acordo com as estações e conheci alguns lugares que nem sempre ganham destaque nos roteiros turísticos mais conhecidos.
A seguir, reuni as praias que mais chamaram minha atenção, contando minhas impressões, curiosidades e algumas dicas que podem ajudar quem pretende conhecer essa parte da ilha.
Praia de Canasvieiras

Canasvieiras fica no norte da ilha, bem próxima de Jurerê Internacional, e tem um significado especial para mim: foi o primeiro bairro onde morei em Florianópolis. A região, conhecida simplesmente como Canas por muita gente, tem um perfil bastante familiar, característica que também percebi durante o período em que vivi por lá. A praia está entre as mais bonitas que conheci em Floripa, principalmente no fim da tarde. Em dias de sol, a água ganha tons claros e a grande extensão de areia ajuda a distribuir melhor os visitantes, evitando aquela impressão de que todo mundo está disputando o mesmo espaço.
Outro ponto positivo aparece no verão, quando a água tende a ficar mais morna. O mar costuma ser tranquilo: em determinados dias, quase não há ondas; em outros, elas aparecem um pouco mais, mas geralmente sem comprometer o banho.
Por isso, Canasvieiras pode agradar bastante quem não gosta de água muito gelada nem de mar excessivamente agitado. Nos dias de maior calmaria, a sensação é quase a de entrar em uma grande piscina natural. A extensa faixa de areia também convida para caminhadas sem pressa, principalmente no fim do dia, quando vale esperar pelo pôr do sol.
Centrinho de Canasvieiras
Uma das maiores vantagens de Canasvieiras está fora da areia: o centrinho facilita muito a vida de quem prefere deixar o carro parado e resolver praticamente tudo a pé. Há restaurantes, bares, cafeterias, lanchonetes, supermercados, farmácias, lojas, bancos, correios e diversos outros serviços concentrados em uma área relativamente pequena. Essa proximidade faz com que o bairro tenha uma estrutura bastante prática para turistas. Depois de passar algumas horas na praia, por exemplo, é possível caminhar até o centro, escolher onde comer e aproveitar para conhecer as lojas sem depender de carro ou ônibus.
Lagoinha da Ponta das Canas

Demorei para conhecer a Lagoinha da Ponta das Canas, mas bastou visitar o lugar para entender que eu deveria ter ido antes. A praia acabou se tornando uma das minhas surpresas preferidas no norte da ilha e, até então, eu praticamente não a encontrava nos blogs de viagem que acompanhava. Quem procura água cristalina e mais morna, uma faixa de areia ampla e cantos cercados por pedras provavelmente vai gostar do lugar. A Lagoinha fica próxima da Praia Brava e de Canasvieiras.
Nas vezes em que estive por lá, encontrei um mar bastante limpo, com ondas leves e uma tonalidade clara que deixava a paisagem ainda mais bonita. É uma praia gostosa tanto para entrar na água quanto para caminhar ou simplesmente passar algumas horas olhando o mar. Hotéis e condomínios aparecem com frequência no entorno. A praia também oferece bastante espaço na areia, o que ajuda a encontrar um lugar confortável, exceto naturalmente nos períodos de maior movimento.
Praia do Forte

Entre Jurerê Internacional e Daniela está a Praia do Forte, uma alternativa interessante para quem quer aproveitar o norte de Florianópolis em um ambiente um pouco mais tranquilo. Embora esteja cercada por regiões famosas, ela costuma ter um movimento menor, em parte por causa do acesso mais limitado. Isso ajuda quem deseja caminhar, descansar ou aproveitar o mar sem encontrar tanta gente ao redor.
A temperatura da água foi uma das coisas que mais me agradaram. Em comparação com diversas praias de Floripa, encontrei um mar mais morno e com ondas suaves, principalmente nos dias de pouco vento. Para quem gosta de passar bastante tempo dentro da água, considero a Praia do Forte uma excelente escolha. O acesso exige um pouco de paciência. A praia possui apenas uma via de acesso, o que pode provocar bastante trânsito durante os períodos mais movimentados.
Nos feriados, no Ano Novo e durante a alta temporada, os congestionamentos se tornam ainda mais comuns. Minha estratégia é simples: chegar cedo e começar a volta antes das 15h. Aliás, essa é uma dica que costumo seguir em praticamente todo o norte de Florianópolis. Em épocas menos concorridas, a experiência é bem diferente. Com menos carros e visitantes, fica mais fácil aproveitar a praia com calma sem precisar procurar um destino completamente isolado.
Jurerê Internacional
Como Jurerê Internacional fica praticamente ao lado da Praia do Forte, vale aproveitar a proximidade para conhecer um dos endereços mais famosos de Florianópolis. Curiosamente, nunca tive tanta vontade de conhecer Jurerê por causa da praia. Sempre achei que outras regiões da ilha ofereciam mares e paisagens naturais mais interessantes. Acabei indo até lá quando marquei de encontrar amigos antes de seguirmos para a Praia da Daniela. Como já estava na região, aproveitei para caminhar pelas ruas e conhecer melhor o bairro.
Não é difícil entender por que Jurerê Internacional ganhou fama como região de alto padrão. Grandes residências, ruas cuidadas e uma atmosfera mais exclusiva fazem parte do cenário. Em poucos minutos de caminhada, aparecem mansões, carros de luxo, jardins impecáveis e construções que chamam a atenção pelo tamanho e pela arquitetura. Para quem gosta de observar esse tipo de paisagem urbana, caminhar pelas ruas pode ser uma atração por si só.
Apesar da fama de Jurerê Internacional, a praia não foi o que mais me impressionou. Essa, claro, é apenas a minha percepção com base no dia em que estive lá. Comparando com outras praias de Florianópolis, encontrei lugares onde a cor do mar e o cenário natural chamaram muito mais a minha atenção. Isso não significa que Jurerê tenha uma praia ruim. Pelo contrário: muita gente prefere justamente a infraestrutura, o acesso relativamente fácil e a proximidade de restaurantes e bares.
Praia da Daniela

Para quem gosta de mar tranquilo, Daniela merece atenção. A água costuma ser mais morna do que em várias outras praias da ilha e praticamente não apresenta ondas, características que ajudam a explicar a presença de muitas famílias com crianças. É fácil passar bastante tempo dentro do mar, seja para nadar, relaxar ou simplesmente aproveitar a água. O bairro é majoritariamente residencial e tem um clima bem mais sossegado do que outras áreas movimentadas do norte.
Em compensação, há menos restaurantes e bares. Quem pretende ficar o dia inteiro pode levar comida, água e outros itens necessários. Outra possibilidade é chegar cedo e aproveitar os poucos estabelecimentos disponíveis, principalmente na alta temporada. Um detalhe importante é o vento. Em determinados dias, ele pode aparecer com força, e descobri isso de uma maneira nada agradável. Certa vez, levei um guarda-sol simples e ele acabou sendo carregado até uma área de vegetação atrás da praia.
No fim da tarde, Daniela ganha outro charme. Tons alaranjados aparecem no céu e combinam com a tranquilidade do lugar. Pode até não ser o pôr do sol mais conhecido de Floripa, mas merece uma pausa para observar antes de ir embora. Nos fins de semana, feriados e principalmente durante a alta temporada, porém, é importante pensar no trânsito. Sempre prefiro chegar pela manhã e começar a volta entre 14h30 e 15h. No norte da ilha, um deslocamento aparentemente curto pode levar muito mais tempo quando as vias ficam congestionadas.
Praia dos Ingleses

Uma das histórias contadas por moradores mais antigos diz que o nome Praia dos Ingleses estaria relacionado ao naufrágio de uma embarcação inglesa no canto direito da praia. Morei durante um ano no bairro e tive bastante tempo para explorar a região. Ingleses está entre os bairros mais completos do norte, com supermercados, farmácias, padarias, lojas, bares e muitos restaurantes. Para quem se hospeda por lá, dificilmente faltará algum serviço básico. Como o bairro é grande, porém, é importante observar onde exatamente fica a hospedagem.
Quem permanece próximo ao centrinho e à praia consegue resolver muita coisa caminhando. Em regiões mais afastadas, carro ou transporte por aplicativo podem facilitar bastante os deslocamentos. Na orla, vários restaurantes ficam praticamente de frente para o mar. É uma boa região para almoçar ou tomar alguma coisa apreciando a paisagem. Na alta temporada, entretanto, os valores podem subir consideravelmente. Se a ideia for economizar, vale pesquisar algumas opções antes de escolher o restaurante.
Meu lugar preferido fica no canto direito, nas proximidades da plataforma de madeira. Quando o mar está tranquilo, a água pode ficar esverdeada e mais transparente. Também costumo encontrar ondas mais suaves nessa área, algo interessante para quem prefere um banho menos agitado. O problema é que muita gente também gosta desse trecho. Durante o verão, chegar cedo faz diferença para conseguir um espaço melhor.
Como a faixa de areia não é tão larga, a sensação de lotação aumenta rapidamente conforme mais pessoas chegam. Foi a praia que mais frequentei durante o período em que morei em Florianópolis, principalmente pela proximidade com minha casa. Em uma dessas idas, ainda tive a sorte de ver golfinhos nadando e mergulhando perto da costa. Foi uma daquelas cenas inesperadas que ficam na memória. Outra dica é aproveitar o sol antes das 16h. Mais tarde, a sombra dos prédios e estabelecimentos da orla começa a cobrir parte da areia.
Praia das Gaivotas
Saindo do centrinho dos Ingleses, bastam alguns minutos para chegar à Praia das Gaivotas, uma região mais residencial e normalmente tranquila. Uma das primeiras diferenças que percebi foi a largura da faixa de areia. Ela é maior do que em Ingleses e oferece mais espaço para escolher onde ficar sem precisar se acomodar tão perto de outras pessoas. O mar pode apresentar ondas mais fortes em alguns momentos, embora geralmente continue agradável para banho.
A areia é clara e, dependendo do clima, a água pode ganhar uma transparência muito bonita. Como acontece em outras partes da ilha, vento e condições meteorológicas influenciam bastante a aparência do mar. Para quem está acostumado com águas quentes, a temperatura pode parecer um pouco fria. Em dias de muito calor, porém, achei o mergulho bastante refrescante.
Certa vez, fui até lá com minha mãe em um domingo ensolarado e passamos boa parte do dia na praia. Como não havíamos levado guarda-sol, alugamos um por R$ 10, com direito a utilizá-lo até as 18h. Já tínhamos nossas próprias cadeiras e permanecemos nas Gaivotas até aproximadamente 15h, quando seguimos para outro passeio.
Do centrinho dos Ingleses, é possível chegar caminhando em aproximadamente 20 minutos. Para quem não tem pressa, o trajeto ainda permite observar melhor o bairro. De carro por aplicativo, o percurso pode levar cerca de seis minutos. Foi a opção que escolhi e achei especialmente útil para quem está carregando bolsas, cadeiras e outros objetos.
Trilha da Praia das Gaivotas até a Praia Brava

No canto esquerdo das Gaivotas existe um caminho que considero um daqueles achados capazes de deixar a viagem mais interessante. A trilha começa entre as pedras e depois segue por uma área cercada de vegetação. O percurso leva aproximadamente uma hora e acompanha boa parte do litoral, oferecendo vistas do mar durante a caminhada. Existe também um trajeto pelo interior da mata, mas, pessoalmente, prefiro o caminho costeiro justamente por causa da paisagem.
Para quem nunca fez a trilha, considero interessante ir acompanhado de alguém que conheça o percurso. Ela não é considerada difícil, mas alguns trechos podem gerar dúvidas para quem está ali pela primeira vez. Com atenção, o passeio tende a ser tranquilo. Também não há motivo para ter pressa. Vale parar pelo caminho, observar o mar e aproveitar os diferentes pontos para fotografar.
Nos dias de céu aberto, a combinação entre vegetação, pedras e oceano transforma o próprio percurso em uma das melhores partes do passeio. Ao final, surge a Praia Brava, com uma paisagem bem diferente das áreas mais urbanizadas do norte. A região é predominantemente residencial, com muitos condomínios, grande faixa de areia, poucos quiosques e um mar que pode apresentar ondas mais fortes. Para quem gosta de explorar caminhos menos óbvios, considero que a trilha vale o esforço.
Praia Brava

Todas as vezes em que visitei a Praia Brava, escolhi chegar de uma forma menos convencional: pela trilha que começa na Praia das Gaivotas. É, para mim, uma das maneiras mais bonitas de conhecer o lugar, já que boa parte do trajeto acompanha a costa e mantém o mar como cenário. Ao terminar a caminhada, a recompensa é uma grande faixa de areia clara e um mar cujas ondas podem variar de fracas a médias conforme as condições do dia.
No verão, a temperatura da água tende a ficar mais confortável. Com sol, o mar também pode ganhar uma aparência mais transparente e azulada. O bairro ao redor mantém um perfil tranquilo, com muitas casas e condomínios de médio e alto padrão. A oferta comercial é pequena quando comparada à de praias mais urbanizadas, embora existam alguns quiosques e um mercadinho. Quem planeja permanecer bastante tempo pode se prevenir levando água e alguns lanches.
Outra atração da Praia Brava está no céu. A região é conhecida pelos voos de parapente. Muitos praticantes se encontram na Praça Emília Grattoni Gomes antes de seguirem para as áreas de decolagem nas montanhas próximas. Mesmo para quem prefere manter os pés no chão, observar os parapentes sobrevoando a praia já deixa a paisagem mais interessante.
Praia do Santinho

Vizinha da Praia dos Ingleses, a Praia do Santinho pode ser alcançada tanto caminhando pela orla quanto de carro, em um trajeto relativamente rápido. O cenário já impressiona na chegada: uma longa extensão de areia aparece cercada por morros, vegetação e dunas que também funcionam como mirantes naturais. A Praia do Santinho já chegou a ser apontada como uma das praias mais limpas do Brasil, reconhecimento que combina com a paisagem preservada encontrada por lá.
Comparada a Ingleses, a região é muito mais sossegada. O comércio é pequeno e, por isso, considero melhor chegar preparado com água, comida e tudo o que for necessário para passar algumas horas. A pouca urbanização também ajuda a preservar o silêncio e a sensação de tranquilidade, inclusive em períodos com maior presença de turistas.
Se existe um ponto que nunca me conquistou no Santinho, é a temperatura do mar. Sempre achei a água bastante gelada, principalmente para quem está acostumado a praias mais mornas. Os surfistas, por outro lado, encontram justamente nas ondas um dos principais atrativos da região. É comum vê-los no mar em diferentes épocas do ano. Para mim, o melhor programa no Santinho é simplesmente caminhar pela enorme faixa de areia e apreciar o cenário. É uma praia para diminuir o ritmo, ouvir o barulho do mar e aproveitar um ambiente distante da agitação encontrada nas regiões mais urbanizadas.
A amplitude da paisagem reforça ainda mais essa sensação de contato com a natureza. Também vale reservar um tempo para conhecer as trilhas e os mirantes naturais. Os caminhos oferecem diferentes perspectivas da praia, das dunas e do oceano, além de renderem excelentes pontos para fotografias. Para quem gosta de caminhadas leves combinadas com belas paisagens, explorar esses trajetos pode ser uma ótima maneira de encerrar a visita ao Santinho.
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Adriano Ferreira
Sou apaixonado por viagens e por descobrir lugares sem pressa. Depois de conhecer 13 países, deixei de lado a correria dos roteiros tradicionais e adotei um estilo de vida nômade inspirado no slow travel. Ao longo dessa jornada, já vivi em diferentes regiões do Brasil, explorando cada destino com mais profundidade, tempo e conexão com a cultura local. Hoje, sigo sempre em busca da próxima aventura, podendo ser rápida ou prolongada.
Aqui eu compartilho dicas, notícias, curiosidades e experiências boas ou nem tão boas, mas reais, que podem ajudar você a planejar viagens mais agradáveis, seja para um fim de semana ou uma grande jornada.
